Hallo Leute!

28 Junho, 2008

Depois de quentes e alucinados dias de compras em Noviórqui, cheguei a Berlim. A tal da remoção não era sacanagem, aconteceu mesmo!

Tenho muita coisa para contar, mas vamos aos poucos. Por ora, as primeiras impressões.

Vamos adjetivar: Berlin é organizada, limpa, grande, plana, baixa, espalhada, silenciosa, desigual, inusitada e em construção.

Nem todos os estereótipos – positivos e negativos – que temos da Alemanha são verdadeiros. Nesses poucos dias, vários deles foram violentamente espancados. A esperada organização alemã, por outro lado, parece de fato existir. Tudo parece funcionar da melhor maneira possível, com grau razoável de previsibilidade. Aliás, esta é a mania do alemão: planejar. Para um povo com baixo nível de jogo de cintura, é preciso saber quando, onde e como cada coisa vai acontecer, e com muita antecedência. Isso pode ser um inconveniente para quem estava esperando maior agilidade. Aqui, quem tem pressa fica sem comer. Por outro lado, quando se vai pegar o metrô, sabe-se que o próximo trem chegará em 3 minutos, o que em geral é reconfortante, ainda que esses 3 minutos não sejam exatamente 3 minutos. Aparentemente, a previsão de chegada do trem é constantemente atualizada, com o que alguns minutos duram muito mais do que outros. As ruas são limpíssimas. As pessoas, nem tanto. Não é raro um cheirinho diferente no metrô. Na academia tem sempre alguns que poderiam/deveriam ter repassado o desodorante.

Aqui não tem trânsito. Os transportes públicos são exemplares e muita gente faz tudo de bicicleta. Barulho é coisa rara. Nos primeiros dias, recém chegado de NY, achei estranho. Depois comecei a gostar. Poluição atmosférica não deve haver. Já do riozinho aqui na frente da Embaixada… Tem dias em que o cheiro vai longe… Isso deriva do problema que a cidade ainda está longe de superar: a pobreza do regime socialista. À exceção de poucas áreas da cidade, os bairros da zona oriental ainda estão muito caidinhos. Os prédios ainda não foram modernizados, o que significa, por exemplo, que a tubulação de água, eletricidade e calefação não é embutida… Tratamento de esgoto, nem pensar; daí o cheirinho no rio. E ainda existem os saudosistas do regime! Mesmo no centro, para onde se olha, vêem-se as obras. Tem muita reforma, novos empreendimentos, guindastes, reconstruções de prédios históricos destruídos pelas várias guerras. O lado ocidental ainda não conheci direito. Fui apenas uma vez ao banco abrir a conta. A impressão é de que ficaram nos anos 60/70. E, com a queda do muro, muito do que havia de melhor do lado de lá, migrou para o lado oriental.

A Embaixada mereceria um post só pra ela. Mas, como não convém detalhar muito, conto apenas que é muito – muito – grande. São 8000m2, 66 pessoas trabalhando no total. Aqui é também a residência e temos até instalações para receber autoridades (incluindo o PR!). Minha sala é uma maravilha: é enorme, com direito a sofá e – pasmem – banheiro privativo! Fica no 3º andar, às margens do Spree (daí o An der Spree), com vista privilegiada pra torre. To me achando! Vejam aqui:

Ah, e respondendo as perguntas freqüentes sobre a língua. Aqui é tudo em alemão. A afirmação é idiota, mas, depois de tanto tempo estudando essa língua estranha, é engraçado chegar a um lugar onde o povo realmente se comunica com ela e do jeito que aprendi no Brasil. Palmas para o Instituto Goethe!